Dionrray critica imediatismo e falta de estrutura na base do League of Legends brasileiro
O experiente treinador apontou a falta de suporte psicológico e projetos de longo prazo como entraves para a formação de novos talentos no cenário.

O treinador de League of Legends João Pedro 'Dionrray' afirmou que a dificuldade de jogadores do Tier 3 em ascender no cenário brasileiro é mais um problema estrutural do que de desempenho individual.
"Eu acho que é mais uma questão estrutural mesmo, de sistema", disse o treinador, que tem dez anos de experiência e passou quase cinco anos na paiN Gaming.
Segundo ele, organizações com menos recursos frequentemente contratam jogadores novatos, mas não oferecem o suporte necessário para seu desenvolvimento.
"É muito mais sobre os times não estarem preparados, as organizações não estarem preparadas do que os jogadores em si", avaliou Dionrray.
Entre os problemas citados estão a falta de suporte psicológico, de treinadores individuais e de equipes com uma identidade de jogo consolidada.
Na prática, isso significa que um jogador pode ter excelente desempenho individual e ainda enfrentar dificuldades em uma equipe sem planejamento consistente, estabilidade no corpo técnico ou uma estratégia coletiva bem definida.
Dionrray comparou a situação com a de times internacionais mais estruturados, onde um novo atleta se integra a um sistema de jogo já estabelecido.
Ele apontou o imediatismo como o principal obstáculo para a formação de talentos no Brasil, um processo que exige tempo e recursos.
"Só que ninguém quer colher o fruto em dois anos, as pessoas preferem não colher fruto nenhum do que ter que colher em dois anos", criticou.
O treinador defendeu que projetos de longo prazo na base também são essenciais para formar novos profissionais para as comissões técnicas, como treinadores e analistas.
Dionrray também levantou a possibilidade de fortalecer competições regionais como uma alternativa para ampliar as oportunidades em um país de dimensões continentais.
Além das habilidades mecânicas, Dionrray disse buscar em jovens talentos as chamadas soft skills, como capacidade de trabalhar em equipe, ouvir críticas, oferecer feedback, comunicar-se com clareza e demonstrar iniciativa.
"Conhecimento de jogo e execução técnica podem ser aprimorados durante os treinamentos, enquanto mudanças de comportamento e de hábitos podem exigir um trabalho mais complexo", explicou.
Ele também realiza trabalhos individuais com atletas de base, incluindo jogadores do CELOL, competição organizada pela Liga GG que reúne equipes do Tier 3.
Dionrray citou como exemplo positivo a emBRAZA! Esports, equipe com a qual mantém relação próxima e cujos jogadores participam de sessões de treinamento individuais e coletivas conduzidas por ele.
O treinador também mencionou o jogador Dark Harvest, da LOS Academy, como um dos que procuraram seu acompanhamento individual.
Para Dionrray, a disposição de buscar conhecimento por conta própria é uma característica importante para jovens que não têm uma estrutura profissional completa.
Ele destacou que os jogadores da emBRAZA! contam com uma organização e um treinador experiente, fatores que contribuem para a construção de um ambiente competitivo mais estruturado.
Dionrray acredita que muitos jogadores já veem os esports como profissão, mas precisam entender que a rotina exige disciplina, preparação física e mental, comunicação, responsabilidade com a própria imagem e capacidade de lidar com a exposição pública.
Essa exigência se torna ainda maior quando o jogador deixa as competições online e passa a disputar partidas presenciais diante de uma plateia.
O treinador explicou que o nervosismo nas primeiras apresentações é natural e pode afetar o desempenho.



