37% dos times de CS no Brasil não pagam salário fixo, aponta levantamento
Apenas 63% das organizações oferecem remuneração fixa, e até times que pagam enfrentam atrasos, como a METANOIA Wolves.

Um levantamento com equipes brasileiras de Counter-Strike no ranking regional da Valve aponta que 37% delas não oferecem salário fixo aos jogadores.
O estudo, focado em times com posição no Valve Regional Standing (VRS) das Américas e que disputaram partidas recentemente, mostra que 63% das organizações possuem algum tipo de remuneração fixa para os atletas.
"O levantamento foi feito com base nos times que estão dentro do ranking das Américas no VRS e possuem partidas recentes", explicou a reportagem, ressaltando que algumas equipes assalariadas, como as academias da RED Canids e da Bounty Hunters e a RUSH, não foram incluídas na contagem.
Entre as organizações listadas com remuneração estão Legacy, FURIA, MIBR, DENDELE, Imperial, paiN, Fluxo, BESTIA, Galorys, Bounty Hunters, Yawara, ALKA, MIBR fe, BESTIA Academy, Grêmio, METANOIA Wolves e paiN Academy.
Já na lista de times sem remuneração fixa aparecem LP, Turma do Pagode, ex-ODDIK, Low Cortisol, QUINTESSÊNCIA, Mira, BORRACHEIROS, EHISTO BASE, MEIA NOITE e Sementes do mal.
A realidade se torna mais difícil quando as principais estruturas do país são retiradas da conta, com parte das equipes menores dependendo exclusivamente de premiações, esforço próprio e eventuais oportunidades comerciais para continuar ativa.
Mesmo entre as organizações que pagam salários, há problemas importantes.
A METANOIA Wolves, por exemplo, enfrenta atrasos nos pagamentos, conforme relatou o jogador Luiz Tineu.
"O time não recebe há 'praticamente três meses'", disse Tineu, motivo pelo qual afirmou ter decidido sair do clube.
O cenário de dificuldade financeira também se reflete no fechamento de projetos competitivos.
A ODDIK encerrou suas atividades no setor, enquanto a Keyd Stars deixou o cenário diante das mudanças no modelo competitivo de Counter-Strike e da proibição das casas de apostas.
A LOUD também se desfez da equipe formada pela line-up da LargadosyPelados sem um anúncio oficial, com o treinador Pablo "disturbed" Fernandes também culpando a proibição das apostas.
O quadro indica que a adaptação ao VRS acontece em um ambiente com menos receitas de adesivos e patrocínios, onde manter uma operação profissional continua sendo o principal desafio para equipes fora do topo.
Para essas equipes, a existência de contratos salariais não garante, por si só, estabilidade financeira, e o ecossistema brasileiro continua sustentado pela mescla de grandes organizações e fakes tentando encontrar formas de manter o projeto vivo.
O número de 37% de times sem salário fixo é próximo de 40%, e foi identificado em um levantamento com times presentes no ranking das Américas do VRS e que disputaram partidas recentemente.
O Brasil perdeu três organizações com estruturas no último mês por motivos diferentes, incluindo a decisão da ODDIK de encerrar o setor competitivo.
O motivo para a LOUD se desfazer do time não foi revelado oficialmente, mas o treinador disturbed também apontou a proibição das casas de apostas.



